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Crédito Rodrigo Cerqueira
GO NUNES !
Relato de um Pacer
São poucos os momentos na vida que temos a sensação de plenitude, quando conseguimos o objetivo que tanto buscamos, desejamos e conseguimos alcançá-lo depois de tanta dedicação, determinação e foco. Assim foi a Badwater 135 que aconteceu entre os dias 23 à 25 de julho, na qual 84 corredores percorreram 217 km saindo de Badwater (85,5 metros abaixo do nível do mar) até Mt Whitney (2.537 metros de altitude), enfrentando temperaturas que chegaram à 50 oC com quase 0% de umidade.
Escrevo este relato, na visão de pacer e parte da equipe de apoio que acompanhou cada passo deste grande ser humano que é o Valmir Nunes.

Crédito Ely Behar
Um dia antes da largada, tivemos a visita do Scott Jurek que ao lado do Valmir, formam o time da Brooks e são os 2 melhores ultra-maratonistas do mundo atualmente. Antes de ir embora, o Scott com seu jeito bem descontraído disse se quebrasse o recorde dele na Badwater (24h36m em 2004), iria correr a Brooks BR 135 no Brasil para quebrar o recorde do Valmir !

Crédito Rodrigo Cerqueira
Largamos às 10 hs am do dia 23 e a única certeza que tínhamos era da vontade de ganhar do Valmir, algo que me confidenciou na noite anterior, durante o jantar, que por incrível que parece, não era regado a puro macarrão, como qualquer corredor normal faria e sim com muita proteína, pouco carboidrato e bastante gordura.

Crédito Jason

Crédito Adventure Corps
Largada realizada e vamos nós para estrada com toda a estrutura de suporte montada em 2 carros, sendo que tínhamos tudo bem planejado para que não faltasse nada, já que locais para compra de qualquer coisa eram bem distante, pois estávamos em pleno deserto. No primeiro trecho de 27 km até Furnace Creek, somente um carro pode acompanhar o Valmir e não era permitido ter pacer, mesmo que pudesse, seria impossível para mim manter o ritmo dele por 1 km sequer, já que completou este trecho inicial em apenas 2h12m com uma média de 4:50 min/km e manteve a liderança durante todo este trecho praticamente.

Crédito Jason
Após a passagem pelo primeiro ponto de controle, o segundo carro juntou-se a nós e iniciamos um esquema de parada a cada milha (1,6 km) para que pudéssemos ter um controle do ritmo e tempo de organizar todo o pit-stop : Balde com toalha para umedecer o corpo, spray de água, bandeja de comidas e bebidas em geral.
Crédito Rodrigo Cerqueira
Entre os pontos de controle de Furnace Creek até Stovepipe Wells, com uma distância de 40 km, Valmir começou a administrar o ritmo para poupar para o final completando-o em 3h27m com uma média de 5:09 min/km, com isto foi ultrapassado pelo Mexicano Jorge Pacheco e depois pelo húngaro Akos Konya. Mas, desde o início estava com uma estratégia muito bem definida, sendo que sempre me dizia que a corrida iria começar para valer a partir do km 160. Além disto, este trecho é considerado um dos mais difíceis e cruéis de toda prova, devido às fortes rajadas de vento com areia, pois estamos correndo ao lado do Mud Canyon com grandes dunas de areia ao redor. Um detalhe, o calor estava tão forte que não agüentou mais correr de shorts e decidiu ficar apenas de sunga, mas parecia que estava usando nada por baixo !

Crédito Rodrigo Cerqueira
Já estamos indo rumo a Panamint Springs, já são quase 4 pm e os desafios deste próximo trecho foram vários, uma subida muito íngreme no qual chegamos em Townes Pass com uma elevação de 1502 mts, o pico do calor que ocorreu por volta das 5 pm, Valmir sentiu um pouco o estômago devido ao esforço dos trechos anteriores e o anoitecer que começou a ocorrer por volta das 8 pm, fez com que dobrássemos a atenção, já que estávamos no meio de uma estrada, principalmente mantendo a bandana ao redor do pescoço sempre com gelo e borrifando bastante água no seu corpo para mantê-lo resfriado. A estratégia de parar a cada milha, mostrou-se acertada e neste trecho comecei a fazer pacer com o Valmir por volta das 7 pm, pois a equipe já estava trabalhando igual a um relógio, a fadiga e o mal-estar do Valmir estavam sob controle, o que me deixou mais tranqüilo para dar um outro tipo de apoio para ele.

Crédito Ely Behar

Crédito Ely Behar
Crédito Rodrigo Cerqueira
O início da minha corrida foi um pouco difícil, pois o meu foco era outro, mas foi um grande aprendizado, pois tinha que manter meu ritmo igual ao do Valmir, que exigia muita concentração minha devido a velocidade que era bem puxada, só ficava um pouco mais fácil nas subidas. Outro ponto foi aclimatação ao calor, pois não tinha me preparado nada, fazia menos de 48 hs que estava no deserto. Mas, o pouco que o Valmir foi conversando comigo foi o suficiente para que conseguisse acompanhá-lo por 12 km e acabei decidindo descansar para priorizar o pacer durante a noite que era mais crítico para o Valmir ficar sozinho. Foi uma sensação muito plena, pois a paisagem neste trecho era formada por montanhas e uma vasta área com dunas e vegetação rasteira, criando um contraste muito bonito.
Por volta das 8 pm começou a anoitecer e fomos obrigados a colocar coletes refletivos e sinalizador luminoso nas costas e na frente para proteger-nos dos carros. Às 9:20 pm estávamos passando pelo ponto de controle de Panamint Springs com uma elevação de 581 mts, sendo que foram 48 km percorridos em 5h41min com uma média de 7:04 min/km, foi o trecho mais lento de todos.
O próximo trecho apesar de curto com 29 km, tinha uma grande dificuldade, que foi a subida de Father Crowley com 13 km de distância e elevação de 1.212 mts. Era bem íngreme e muito sinuoso, assim nunca sabíamos o momento que iria terminar, além da escuridão que estava. Neste trecho o Valmir segurou um pouco, pois estava chegando o momento de iniciar o ataque aos líderes que seria assim que passasse pelo ponto de controle em Darwin.
Desde o início, Valmir foi demonstrando atitudes que o tornaram um grande campeão, muito além do preparo físico, era a sua estratégia de prova. Tinha muito claro, mesmo após 144 km percorridos, o que fazer, o momento de aumentar o ritmo e o de diminuir, o momento de atacar o líder e o principal : o foco e determinação total no seu objetivo que era a vitória, além de dizer a todo momento o que o motivava a correr : sua família !
Após 13 km de subida e 16 km variados com pequenas subidas e descidas estávamos chegando ao momento crucial da corrida na passagem do ponto de controle em Darwin como disse o Valmir para mim “A corrida começa agora”. Neste trecho de Panamint Springs até Darwin, Valmir percorreu 29 km em 3h23m numa velocidade média de 7:01 min/km, sendo que alternando uma milha correndo e outra descansando corri 15 km, insignificante perto dos 144 km do Valmir, mas para mim que tinha acabado de retornar da Comrades, já tinha corrido 27 km !
Com o início do ataque do Valmir aos 1º e 2º colocados, tínhamos que trabalhar de forma bem estratégica e sincronizada, sendo que enquanto um carro fazia o apoio do Valmir, o outro estava gerenciando a distância dos outros 2 corredores, além de ter que fazer o abastecimento de alguns suprimentos que estavam terminando, tal como gelo e sprite, sim o Valmir ficou praticamente a corrida inteira bebendo sprite, pois a coca e a fanta laranja estavam deixando-o enjoado. Além disto, o cansaço já começava a aparecer, pois hora um esquecia o balde com a toalha no meio da estrada, outra hora a calda de chocolate (outra comida do Valmir ! ), mas nada grave que pudesse causar algum problema, apenas risadas em plena madrugada pois já era mais de 2 am.
O 2º colocado que era o húngaro Akos Konya estava aproximadamente a 3 km de distância e o 1º colocado era o mexicano Jorge Pacheco estava a 10 km. O ritmo imposto pelo Valmir foi impressionante, pois começou a correr para baixo de 5 min/km, sempre perguntando a distância, pois desta forma conseguia dosar o ritmo necessário. Neste momento da prova, começou a ficar bem agitada a movimentação dos carros, pois as equipes começaram a perceber o aumento do ritmo do Valmir e a toda hora passavam por nós os carros das 2 equipes que estavam na frente para também monitorarem a distância dos seus corredores.
Nada mais conseguia tirar nosso foco da corrida, pois cada vez mais estávamos nos aproximando do Akos Konya, inclusive neste momento a organização da prova começou a acompanhar de perto a movimentação das 3 equipes, para evitar qualquer tipo de malandragem. Por volta do km 165 passamos o 2º colocado, este nem esboçou qualquer reação, pois era evidente que neste momento da prova, todos deveriam poupar-se devido ao cansaço e não aumentar o ritmo como o Valmir fez. Mesmo por diversas vezes o carro da equipe do Akos tentou estacionar na nossa frente para mostrar que estavam próximos, já era visível que em questão de minutos iríamos distanciar o suficiente para que não fosse mais preocupação para nós, pelo menos naquele momento....
Era impressionante acompanhar o ritmo do Valmir, tanto como apoio, mas como pacer, pois neste trecho corri 18 km com ele e não foi nada fácil. Além que tivemos que manter um rodízio para que todos corressem ao seu lado, pois estava muito escuro e existia risco de cobras na estrada, algo que não queríamos que o Valmir ficasse preocupado. Apelidamos a operação de Snake Patrol e cada um corria no máximo 2 à 5 km, fazendo parecer uma verdadeira corrida de revezamento dos pacers, pois era a distância máxima que cada um conseguia correr !!
O nosso alvo era o mexicano, estávamos com adrenalina a mil, pois a distância que estava em 7 km, vinha caindo rapidamente e após 20 km, por volta do km 185 o Valmir assumiu a liderança da corrida. Lembro exatamente deste momento, pois a equipe do mexicano começou a fazer uma verdadeira tática de guerra e como estava escuro, nossa referência eram apenas as luzes dos carros e dos corredores, mas eles posicionavam o 2º carro deles sempre próximo do nosso, provavelmente para enganar-nos e tentar fazer com que o Valmir corresse acima do seu ritmo para ultrapassá-los, mas já tínhamos percebido que era um blefe, sendo que inclusive no momento que ultrapassamos o mexicano, lembro que vimos 2 carros parados e o Valmir perguntou se era o 1º colocado e disse que não, pois era um carro de algum corredor que tinha largado às 6 hs am e ele estava muito adiante. Mas, após uns 20 minutos, um fotógrafo que estava nos acompanhando veio falar comigo para informar que estávamos em 1º. Relutei e no mesmo minuto, mostrou-me as fotos do exato momento que passei com o Valmir o mexicano e a foto do mesmo completamente “quebrado”, sentado na cadeira atrás do carro de apoio para que não pudéssemos vê-lo.......Só lembro de explodir de alegria e esperar o Valmir para dar a notícia. A equipe estava em êxtase total, todos se cumprimentavam e a emoção tomou conta de todos nós !!
A nossa posição estava bem confortável, pois o mexicano estava literalmente impossibilitado de esboçar qualquer reação de ataque, pois corria um pouco e parava, com muitas cãibras e dores no corpo todo, o húngaro também estava muito longe e com muita dificuldade em manter-se com um ritmo forte, praticamente a corrida estava ganha, mas era ledo engano, pois o Valmir começou a pagar o preço pelo ataque que tinha realizado principalmente no mexicano, seus sintomas de desidratação estavam evidentes e cada vez mais estava sentindo o estômago e não conseguia beber muita água. Seu principal adversário passou a ser ele mesmo.
Apesar destes sintomas, sua urina estava boa, não muito escura e nem muito clara, esta era a principal forma de monitorarmos se a sua hidratação estava boa, mas com este resultado, ficamos bem confusos se era a falta ou excesso de líquido que estava causando este mal estar nele. Naquele momento, tive a idéia de ligar para sua esposa, Kelly Nunes, que já o acompanhou em algumas corridas e poderia dar algumas dicas. Sei que não seria fácil, pois apenas em um ponto do deserto disseram que poderia ter sinal de celular e para nossa sorte era exatamente aquele. Após dar a notícia que o Valmir estava liderando, pedi ajuda que prontamente foi dada, recomendando que somente déssemos água de côco e sprite para ele até o final da corrida, já que faltavam “apenas” 20 km e o Valmir tinha condições de suportar a dor e o mal estar que estava sentindo. Passei a informação para toda a equipe e neste momento passei acompanhar o Valmir praticamente até o final.
Exatamente às 5:35 am, estávamos passando pelo ponto de controle de Lone Pine que já dava acesso ao trecho final da corrida a 1121 mts de altitude. O Valmir tinha percorrido os 51 km do trecho anterior em 4h52m numa velocidade média de 5:41 min/km, impressionante pelo fato de já ter corrido 195 km durante 19h35m SEM PARAR, nem um minuto sequer para descansar !
Partimos para o trecho final que prefiro dizer escalada final, pois saímos de 1121 mts para 2537 mts, potencializados pelo cansaço e mal estar do Valmir.

Crédito Ben Jones

Crédito Adventure Corps
Nestes últimos 20 km, O Valmir alternou corrida e caminhada, estava exausto e com dores no corpo e o mais preocupante o mal-estar que o fez vomitar diversas vezes. Apesar disto, nunca deixou de seguir adiante, de lutar, perseverar e manter o foco na vitória. De caçador viramos caça, pois sabíamos que o mexicano já estava fora de combate, mas o húngaro Akos Konya recuperou-se e partiu firme e forte em nossa direção.
Na entrada para Mt Whitney já não podíamos receber nenhum apoio do 2º carro, então não tínhamos mais como monitorar a distância do 2º colocado, somente que estava aproximando-se e para piorar, as informações vinham confusas, hora diziam que não tinha mais como sermos ultrapassados, hora diziam que estava muito próximo. Minha preocupação foi manter o Valmir fora deste jogo emocional e dar apoio para que não deixasse abalar pelo cansaço.
O calor começou a ficar forte novamente, então voltamos com a estratégia da refrigeração com o borrifador, mas agora estávamos parando a cada ½ milha (800 mts) para que ficássemos o mais próximo dele.

Crédito Chris Carlson
Passamos pelo controle final antes da chegada, faltando apenas 6 km, percorrendo 14 km em 2h02m num ritmo de 8:26 min/km, neste exato momento já tínhamos a certeza que não podíamos ser alcançados pelo Akos Konya, a equipe apesar da emoção, estava preocupada com o Valmir, pois estes 6 km finais tinham a maior elevação e até para andar demandava um esforço enorme. Já tinham passado 21h37m de corrida e 211 km percorridos, simplesmente incrível !

Crédito Rodrigo Cerqueira

Crédito Rodrigo Cerqueira

Crédito Ben Jones
O momento mais emocionante está chegando, estamos a menos de 1 km da linha de chegada, a expectativa é muito grande, centenas de pessoas, jornalistas e fotógrafos estão aguardando a chegada do Valmir, o brasileiro que estava literalmente massacrando o recorde mundial, baixando-o em quase 2 horas. Estava nascendo uma lenda na história da Badwater, que completava nesta edição 30 anos de existência e muitas histórias impressionantes, mas nada igual a que estava sendo escrita neste momento !
A 100 metros do final toda equipe de apoio juntou-se ao Valmir para acompanhá-lo até a linha de chegada, um verdadeiro grupo de guerreiros que ao lado do Valmir ajudaram a tornar este sonho em realidade. Todos gritavam, choravam, festejavam e então finalmente a merecida coroação final em recheada de aplausos e gritos de saudação por toda a parte. O Maior Ultra-Maratonista do Mundo estava recebendo a sua coroa de rei sob o anúncio da impressionante quebra do recorde mundial na distância de 135 milhas (217 km), façanha que vem a juntar-se com os seus recordes das Américas, Sulamericano e brasileiro das 24 horas e dos 100 km, Bi-campeão Mundial dos 100 km e o Melhor Tempo Mundial de 100 km.

Crédito Chris Carlson

Crédito Adventure Corps

Crédito Chris Carlson
Poderia ficar minha vida inteira tentando descobrir palavras para expressar minha alegria e satisfação de ter tido a oportunidade de fazer parte deste momento. Foi uma alegria muito diferente, mas não menos plena de quando completo minhas corridas. É uma energia que toma conta do meu corpo e da minha mente, causando uma sensação de prazer, alegria e, principalmente, amor por tudo e por todos, momento este que faz com que toda a dor sofrida e privações durante os treinos valham pela conquista alcançada. No final, o objetivo é o mesmo, seja para quem deseja apenas completar uma corrida que é o meu caso, como no caso do Valmir que corre para ganhar, a certeza de que se batalharmos nossos sonhos e limitações, podemos alcançar tudo que tenha um significado importante para nossa vida !
Não poderia deixar de mencionar toda equipe que fez um excelente trabalho, superando da melhor maneira possível todas as adversidades : Jason, Tony, Peter e Charles. Além do Mario Lacerda, que é o idealizador da Brooks BR 135, que faz parte da Badwater 135 World Cup, etapa realizada no Brasil e que junto com o Rodrigo Cerqueira, foram responsáveis pela excelente cobertura e apoio para os 3 brasileiros que participaram da Ultra-Maratona Badwater, a mais difícil do Mundo ! Extendo meus cumprimentos para os outros dois corredores brasileiros e equipes de apoio : Mônica Otero e Manoel Mendes.

Crédito Rodrigo Cerqueira
PARABÉNS VALMIR, você é e sempre será um eterno campeão !
Novo Recorde Mundial percorrendo 217 km em 22h51m29s numa velocidade média de 6:19 min/km !
Depoimento do Ultra-Campeão Valmir Nunes :
“Foi uma corrida muito diferenciada para mim, tanto no clima quanto no apoio que me ajudou muito.
Fiz uma prova super estratégica, pois programei cada milha, estava concentrado, confiante, tranquilo e enfocado, o que me ajudou a suportar o calor, as grandes subidas, descidas e as dores.
Sabia e respeitava meus adversários. Porém, estava determinado a ganhar a corrida. Em dois momentos me desconcentrei: qdo me falaram que eu teria que comer e senti que minha equipe estava tensa e no final da prova. Quando o Ely falou que eu teria de fazer o que eu estava acostumado, voltei a enfocar novamente.
Senti que minha equipe estava preocupada, mas lembro que falei que a corrida começaria após 15/16h. Percebi que todos foram ganhando confiança com o tempo.
Foi uma equipe essencial na minha conquista. Tenho certeza que se tivesse sempre uma equipe como está em minhas ultras pelo mundo, teria ganhando muito mais competição e batidos muitos recordes.
Nunca vou me esquecer deste lugar lindo e das pessoas que estiveram comigo neste momento especial. Os corvos, o ar quente a estrada por onde treinava, por 10 dias, o local onde eu estava e as pessoas que eu conheci. Adoro o calor o clima seco, as subidas e descidas e desafios.
Durante a corrida pensava em minha mulher Kelly, na minha filha Natasha, nas pessoas que me ajudavam e torciam por mim. Agradeço a toda minha equipe, Ely, Mario, Peter, no pai do Peter, no Tony, Jason, foi essencial o trabalho de todos. Agradeço a meus patrocinadores Memorial de Santos e a todos da Brooks, que sempre acreditam em mim.
Ganhar a Badwater foi um desafio diferente, pelo calor, subidas longas, pelo grupo de apoio, isso me motivava muito a correr. A emoção é inexplicável. Foi mais um sonho realizado. Venci todas as provas que sonhei : Spartatlhon, mundial de 100km, entre outras. Acredito que em quanto eu tiver essa emoção em minhas vitórias, continuarei correndo e vencendo meus desafios. A maior motivação para eu continuar a correr e fazer amigos e conhecer lugares.
Obrigado a todos !!!!!!!!!!! Valmir Nunes”
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